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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um apanhado do 1° Seminário de Comicidade Anjos do Picadeiro

Por Viviane Soledade

O seminário foi uma atividade que aconteceu pela primeira vez no Anjos do Picadeiro no ano de 2009 e que teve como finalidade criar um espaço para a apresentação de projetos de pesquisa e estudo, relatos de vivências e questionamentos a partir de trabalhos práticos em torno da comicidade.
Os seminários foram abertos ao público e aconteceram no SESC Prainha, em Florianópolis, e todos os seminaristas junto ao público levantaram questionamentos importantes a partir do que era apresentado.
Os seminários foram divididos em painéis conforme o critério de escolha da organizadora Ieda Magri. O primeiro painel que ocorreu no dia 23 de novembro dizia respeito ao seguinte questionamento: “Todos os caminhos levam ao riso?”. Abaixo tentarei recuperar o que foi dito nesses encontros resumidamente e abarcar os questionamentos que a fala de cada seminarista pode ter gerado.


Painel 1 – Todos os caminhos levam ao riso?

No me toque lãs narizes: Socorro! Não às pedagogias opressoras com narizes vermelho!
Seminarista: Lau Santos
Lau Santos deu aula na Espanha e a partir da sua prática como professor pode perceber nos relatos dos seus alunos uma resistência à aula de palhaço por se sentirem humilhados em experiências anteriores. A sua comunicação no Anjos do Picadeiro seria um alerta ao sistema de ensino da arte clownesca que prima pelo resultado a qualquer custo usando como estratégia o psicologismo exacerbado e a humilhação de seus alunos como pedagogia. Segundo Jacques Lecoq, a angustia de fazer o riso mostrou a fragilidade dos seus alunos e com isso ele percebeu uma possibilidade de gerar o riso. A má interpretação dessa percepção de Lecoq pode gerar uma pedagogia que traumatize os alunos a ponto de não quererem mais estudar a técnica do clown.
Para Lau Santos é necessário trabalhar com o aluno de maneira que ele aprenda a lidar com o espaço vazio. Mais do que descobrir a fragilidade é melhor aprender a lidar com essa fragilidade como jogo.
Segundo Lau Santos, o trabalho do palhaço sempre se depara com a relação de poder, mas, sem coação e humilhação. Para ele a pedagogia da arte do clown precisa ser menos opressora para proporcionar maiores descobertas.

O processo criativo do ator para espetáculos de stand-up comedy com personagem
Seminarista: Malcon Bauer
A fala de Malcon buscou dar conta do processo de elaboração do stand-up comedy com construção de personagem.
O seu objeto de análise foi o espetáculo Teatro de Quinta do qual faz parte que segundo a definição do blog do espetáculo trata-se de “(...) um show de humor com uma proposta de interpretação ao estilo stand-up comedy. Um ator e um microfone. Nesse caso é uma variação, pois os atores se "travestem" de personagens. O humorístico existe desde 2004 e já foi visto por mais de 50 mil pessoas em Florianópolis, Curitiba e cidades do interior de Santa Catarina”. Atualmente o eleco é formado por: Igor Lima, Malcon Bauer, Milena Moraes e Monica Siedler. Os atores Daniel Olivetto e Renato Turnes também têm integrado o elenco nos últimos shows.
O espetáculo teve início em 2004 quando a forma stand-up comedy estava se espalhando pelo Brasil.
O stand-up comedy sem personagem é feito de “cara limpa” (ou seja, o ator sem construção de personagem) compartilhando suas visões sobre o cotidiano. Já no stand-up comedy com personagem tem a construção de tipos cômicos que se apresentam em formato de esquete.
No “Teatro de Quinta” os personagens são:
Atriz Milena Moraes: aeromoça
A atriz trabalhou na Varig durante um tempo e se apropriou de algumas circunstâncias experienciadas por ela e elaborou a sua esquete.
Ator Igor Lima: apresentadora de programa infantil Xuca
O ator para construir esse personagem se apropriou da sua memória de criança da Xuxa e elaborou a sua esquete a partir da sua visão adulta e crítica da apresentadora.
Atriz Monica Siedler: atriz dramática
A esquete foi montada a partir do conflito da personagem de drama em fazer comédia, que é também o conflito da atriz.
Ator Malcon Bauer: Irmã Frida
O ator passou a sua infância não entendendo o alemão praticado entre os seus familiares. A partir disso ele criou para seu personagem uma fala que se assemelha sonoramente ao alemão.
É possível perceber no Teatro de Quinta uma construção de personagens a partir da memória e vivência de cada ator. A meu ver, nesse caso, a diferença entre o stand-up comedy sem personagem e o Teatro de Quinta é de fato a ficcionalização da figura, mas ambos possuem o ator em cena com o seu ponto de vista do cotidiano, mesmo que travestido.
http://teatro-de-quinta-bio.blogspot.com/


Olha o palhaço no meio da rua!
Seminarista: Diego Baffi
A comunicação do Diego Baffi diz respeito à sua pesquisa teórico-prática realizada pelo palhaço itinerante nas ruas de Campinas/SP. Começou a buscar o que queria fazer na rua com sua itinerância, o improviso que esse espaço demanda e um jogo que se relacionasse com o seu entorno.
A partir da sua prática começou a se questionar de como o riso poderia ser produzido no espaço público e as dinâmicas de uso desse espaço. Para ele, trata-se de uma dinâmica deslocada por ter uma forma de apropriação indeterminada. O espaço público tem trazido para ele cada vez mais proposições de apropriações. A sua expectativa é de que o sujeito se aproprie desse espaço, pois o riso surge de uma traição dessa expectativa. Para ele, todo espetáculo de palhaço é a traição de uma expectativa.
A proposta é que o seu palhaço se relacione com o espaço público de uma forma diferente do que já está determinado por meio das convenções teatrais. Na rua o jogo é se colocar num tempo e num espaço sem uma pré-concepção, mas. para isso é preciso interagir com o entorno o tempo todo. A dinâmica de uso do espaço também diz respeito à transformação do espaço.
A comicidade também está no espaço público, pois ela se dá no encontro do palhaço com alguns objetos e o seu entorno.
A partir das fotos expostas por Diego Baffi da sua performance na rua é possível perceber no seu trabalho a resignificação do espaço público na medida em que a dinâmica de uso do espaço a qual ele se refere não é efetivada de maneira ordinária, pois é criado por meio da sua apropriação espacial um outro modo de ver aquele entorno. Da mesma forma é feito com os objetos utilizados pelo ator que é um procedimento semelhante ao uso que a criança faz do objeto ao dar vários sentidos e funções diferentes ao mesmo objeto. É possível perceber no trabalho do Diego Baffi o seu caráter subversivo ao dar a ver ao espectador a alteração da significação do espaço e nessa medida fazê-lo participante do jogo.

Jogos de poder: palhaço, o mestre ignorante
Seminarista: Flávio Louzas Rocha
Flávio Louzas falou do olhar artístico a partir de recortes que são ressignificados nos jogos de poder.
Para ele, tem que existir uma preocupação metodológica para quem quer se dizer palhaço. Não pode ser riso pelo riso, pois assim abre-se mão da questão social e da platéia.
Segundo Flávio, todas as pessoas têm uma espécie de sensação num tempo e num espaço. Num evento teatral acredita-se que todos estão no mesmo lugar. No caso do palhaço, o público se coloca no lugar do palhaço enquanto aquele que não respeita hierarquias e resignifica algo com trocadilhos, por exemplo, e que não respeita o poder.
Flávio parte do pressuposto de que não se cria um mundo novo com a arte mas diferente. No caso do palhaço a idéia é que inclusive a seriedade leve ao riso. Para ele a idéia do riso está associada à idéia de sacrifício e morte na medida em que se utiliza o riso para tentar criar o novo e rever questões tradicionais. Nesse sentido é um riso destruidor.
O caminho da linguagem é a resignificação dos símbolos como suporte da arte do palhaço.
O palhaço apresenta fragilidade, mas ele sempre sai ileso por ter o domínio da situação.
Alguém tem que ser sacrificado para que haja o riso.


Painel 2 – Performance e improvisação na construção da cena cômica

A performance do palhaço, o palhaço da performance
Seminarista: Sérgio Khair
A questão da performance do palhaço parte de uma necessidade de juntar a linguagem à performance. Ele acredita que o palhaço está na vanguarda por tentar no jogo sempre algo novo. O palhaço tem uma atitude política de transgressão. Nesse sentido há uma afinidade entre o palhaço e a performance na medida em que a performance surgiu na vanguarda com a tentativa de chocar e criar algo novo.
O preceito do palhaço como aquele que faz rir. Para entender o palhaço como performer ele teve que entender melhor o clown como palhaço pessoal e cotidiano, pois tanto a performance como o clown buscam uma autoria no trabalho, o acaso e a presentificação dos acontecimentos. as coisas e é preciso presentificar.
Como aproximar a arte da performance à arte do palhaço? É preciso ver na performance o momento de criação do riso.
O trabalho do palhaço tem o acaso e a simultaneidade. Sergio entende a performance como metáfora do palhaço enquanto ator nu.
Falar da foto do palhaço com o nariz do pênis. “O lugar do nariz é sempre na cara?”
O palhaço entra e altera o ambiente que se espera que seja positivo. Na performance nem sempre. Para ele, o palhaço performático é aquele que usa aquilo que tem para mexer com coisas fortes.
A quebra da tradição é uma quebra de convenções. O palhaço que trabalha com improviso está acostumado a lidar com a afetação do público e com o risco que isso acarreta.


Juju e Rôro – cena e improvisação: questões sobre a relação entre palhaço e público
Seminarista: Caroline Holanda
Juju e Rôro trata-se de cenas e improvisações em que o público é atuante na cena. Esse trabalho salienta questões sobre a relação entre palhaço e público.
Nesse espetáculo a artista briga com o medo e a vontade de fazer. A exposição maior numa estrutura onde se apresenta a história e uns dos personagens está na platéia. Isso provoca uma evidente relação com o público. Se o público já é importante para o palhaço, fica ainda mais acirrado quando o público participa.
Caroline percebeu que nesse trabalho em que o cerne é a improvisação e a participação do público, transformando-o num espetáculo “aberto”, ir para a cena com a estrutura armada não funciona. E o improviso é uma escolha feita no presente.
Ela pode perceber ao fazer o espetáculo em distintos espaços que a configuração interfere no espetáculo semi-estruturado na improvisação.
Num espetáculo de improvisação é preciso que o ator tenha uma grande capacidade de escuta.
O processo pedagógico da pesquisa de Caroline passa pela na seguinte sitematização: pensar – ir para a cena – testar – voltar para reescrever.


O improvisador, o palhaço e o palhaço-improvisador: a experiência do espetáculo “Jogando no Quintal”
Seminarista: Thaís Carvalho Hércules
A principal questão levantada por Thaís Carvalho foi: “ Há relação entre palhaço e improvisador?” O seu objeto de análise foi o espetáculo Jogando no Quintal criado pelo grupo paulistano Cia. do Quintal desde 2001.
Os integrantes do espetáculo sofrem a influência direta da experiência que tiveram com o trabalho do Doutores da Alegria e com as companhias latino-americanas de improvisação.
A questão dos Doutores da Alegria é muito importante no “Jogando no Quintal” pela relação que se tem com o indivíduo ou pequenos grupos. A relação entre palhaço e público Fo grupo foi fundamentada na experiência que tiveram com os Doutores da Alegria.
Ao longo desses oito anos o espetáculo foi modificando e mudando de espaço.
Improvisação como espetáculo.
O grupo trabalha com o conceito de teatro esporte.
Escuta e relação em que o palhaço quebra a competição salientada no espetáculo, pois a competição não é o seu foco.
Palhaço improvisador não é uma relação equilibrada.


Palhaçar: por uma poética de acontecimento e alegria trágica
Seminarista: Luciene Olendzki
Para Luciene o palhaçar é um acontecimento que se excede num campo de forças que vai para além do palhaço e do público. O palhaçar não está garantido na efetuação de uma obra.
O palhaçar não tem forma e não tem fórmula.
Poder de afetar o público e ser afetado por ele. Segundo Tortel, o palhaço é um comunicador de sensações.
A lógica do sentido, conceito desenvolvido por Deleuze, é que a idéia parte do acontecimento. Para ele, o acontecimento é o que acontece a reverberação da efemiridade, do tempo, e do espaço numa sensação de uma duração infinita. Seja o acontecimento risível ou não.
O riso causa uma comoção de que vale a pena viver.
A idéia do trágico como questão vitalícia em que o palhaço levanta no acontecimento como legitimação de um sim criativo que é da ordem da brincadeira diante da vida.

Piolin e o modernismo
Seminarista: Diego Telles
O palhaço Piolin aparece como símbolo de palhaço nacional.
O modernismo do século XVII sofre influencia das vanguardas das renovações estéticas. A segunda fase do Modernismo já passa por um plano de elaboração da cultura nacional.
O plano dos modernistas era criar um plano de elaboração da cultura nacional.
Nessa época o circo sofre influências das vanguardas européias e o poeta suíço Blaise Cendrars divulga o trabalho do palhaço Piolin.
Por meio desse destaque que o Piollin sofre com a valorização que Blaise Cendrars lhe dá, Oswald de Andrade o assiste e o classifica como o palhaço nacional.
O manifesto antropófago fala que o Brasil deve devorar a o colonizador e assimilar as suas qualidades.
Aparece o Piolin como símbolo de palhaço e de nacionalidade. Por quê? Para Diego, essas características lhe foram atribuídas pelo fato dele ter o jeito do povo brasileiro.
O crítico Alcântara Machado ajudou a legitimar o palhaço Piolin.
Por onde estão indo os circos e os palhaços?
O Circo de Soleil produz novas tecnologias. Para ele a legitimação do Circo de Soleil nos dias de hoje é um sintoma da efetivação do capitalismo e do neoliberalismo. Está acabando o palhaço?

Painel 3 - Trajetórias

Teatro Biriba – 40 anos de circo-teatro catarinese através das lentes do documentário
Seminaristas: Glaucia Grígolo e Renato Turnes
A pesquisa utiliza os recursos da linguagem audiovisual para registrar, discutir e divulgar, no formato do documentário, a experiência de 40 anos do Teatro Biriba, a mais representativa companhia de teatro popular de Santa Catarina.
Fundada por Geraldo Passos, o palhaço Biriba a companhia de circo-teatro é hoje composta por duas companhias: uma administrada por Geraldo Passos Jr., o Biriba, e outra administrada por Cidinha Passos, irmã de Geraldinho e mãe de Franco Adriano, o palhaço Biribinha.

O documentário surgiu a partir do Projeto Artistas Catarinenses em que eles elaboraram algo que produzisse uma pesquisa com algo novo para eles enquanto atores e artistas.
A primeira memória que a Glaucia tem de teatro foi assistindo ao Biriba – Geraldo Passos.
A pesquisa não tem vínculo acadêmico e o resultado é áudio visual.
O encontro com os artistas/palhaços gerou um apaixonamento pela linguagem, pela trajetória desses artistas, pelas pessoas e suas vidas nômades.
O documentário foi filmado em setembro com três câmeras e formou-se mais de 100 horas de material
Focou-se mais nos objetos artísticos das companhias que envolvem as comédias e os dramas.
O filme também envolve elementos de ficção.
Para eles, a parte mais emocionante do filme é a cena que reúne toda a geração do Biriba.

Pelo vigor do palhaço
Seminarista: Juliana Dorneles
Juliana Dorneles queria juntar a filosofia francesa com o palhaço, pois já estudava a filosofia francesa há algum tempo. Ela é palhaça também.
Para Deleuze o signo é algo que arrebata numa experiência sensível.
O encontro de Juliana com o palhaço foi também pelo sensível. Não era pelo riso, pois não gostava de palhaço quando criança. O palhaço para ela é riso, perda, fracasso e alegria misturado com tudo isso.
A questão do fracasso para o palhaço é o como se colocar no fracasso sendo feliz e querendo que esse fracasso seja tudo para você. O palhaço constrói a cena a partir do fracasso. O palhaço é um grande traidor de todas as certezas e é a partir disso que ele faz o humor.
O palhaço sistematicamente quebra com a quarta parede. Cria-se uma triangulação entre o palhaço, o público e o personagem.

Desconstrução total das certezas e o humorismo está ligado à quebra do hábito.
Para ela a grande arte do palhaço é conseguir habitar esse lugar do não-sentido. Fazer rir é muito difícil, pois se produz a partir da descontinuição do sentido.
A sociedade contemporânea é carente dessas inspirações cômicas.
Trabalhando com a desconstrução da certeza é preciso rever o lugar do público. Este lugar é o da morte, não é o da vida. Acordando a morte é que se vai ter acesso ao novo.

Uma palhaça entre mundos miúdos
Seminarista: Genifer Gerhardt
A Genifer viaja pelo Brasil no seu roteiro da Bahia ao Rio Grande do Sul em pequenos povoados utilizando como moeda de troca a arte do palhaço e o teatro cômico.
Essa idéia surgiu quando sentiu falta de ter isso na sua cidade e resolveu levar para as demais.
Essa viagem se efetiva a partir da troca que se sistematiza no período de 05 dias de permanência na cidade e da seguinte forma: ela chega aos povoados, se apresenta, fica hospedada na casa de pessoas desconhecidas e estabelece a relação de troca. Apresenta seu espetáculo de rua nos povoados como algo que ela sabe fazer e aos poucos ela vai conhecendo a cultura dos povos e as pessoas em particular.
Ela vê uma afinidade entre o palhaço e a troca.
Ela escolhe a cidade ao acaso. Ela procura senhoras e se apresenta solicitando hospedagem. Essas senhoras lhe ensinam a cozinhar ou a fazer algo que ela não saiba. A troca vem por relações espontâneas.
A troca vem também pelo reconhecimento das pessoas e da sua comunidade.
Para quem quiser acompanhar o trajeto da Genifer é só acessar o blog www.maetoindo.blogspot.com

CIRCONTEÚDO + patrimônio do Pindorama Circus
Seminarista: Ermínia Silva
Para Ermínia Silva a relação de troca, relação, “tô indo” (se referendo a seminarista Genifer Gerhardt) é o que ela entende como circo. Uma pena que vários circos se perderam.
Para ela o circo é uma linguagem rizomática, pois quando encontra obstáculos se relaciona, se reinventa e se refaz de outro jeito.
Não é a estética que é produzida de uma forma diferente, mas a diferença se faz na alteração da linguagem em cada cidade. Aí novos personagens históricos são produzidos.
Quando a cidade incorpora a aprendizagem do circo, cria-se outras relações. Cria-se os festivais como na Europa.
O circo não é apenas um lugar (a lona).
Circonteúdo é o terceiro projeto de parceria entre Erminia Silva e Marcelo Meniquelli. A proposta é criar um lugar na web especialmente para o circo. O projeto já nasce com um conteúdo respeitável, nele está incluso todo o banco de dados do site Pindorama Circus (primeiro site do gênero no Brasil), que passa a fazer parte como patrimônio histórico.

O CIRCONTEÚDO é um a site que reúne uma vasta informação sobre a linguagem circense e cômica. Na estréia de montagem do site vem uma página somente do Anjos do Picadeiro.
Segundo Ermínia Silva “o site pretende ser um espaço colaborativo e democrático de informações, pesquisa e divulgação das artes circenses, ampliando de forma dinâmica a construção de um banco de dados, através de levantamento, produção das histórias, memórias e saberes do circo no Brasil e na América Latina”.
Para acessar : http://www.circonteudo.com.br/v1/

domingo, 29 de novembro de 2009

tem palhaceata?!? tem sim, senhor!!!





e nada a declarar...

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Este é um post sobre o espetáculo do Chacovachi apresentado na lona, na sexta-feira à tarde.
Vem sem título pois confesso que não assisti, mas resolvi contar o que me contaram. Lá vai:

Prólogo: estão proibidas as apresentações de espetáculos na rua em Florianópolis (e isso inclui semáforos, praças, e tudo o que for feito na rua);

Show aconteceu;
Chacovachi passou o chapéu (nunca houvera visto ele fazer isso em outros Anjos - detalhe: ele é conhecido por ser um grande passador de chapéu);
500 reais;

Chamou os artistas de rua que estavam presentes e dividiu o dinheiro com eles.

Epílogo: um amigo conta que foi falar ao Chaco, meio se desculpando, que nao pôde assistir o espetáculo à tarde. Chaco responde amavelmente: vc perdeu de ganhar 60 reais.

Ju Dorneles

sábado, 28 de novembro de 2009

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abertura oficial do anjos do picadeiro 2009 - 8° encontro internacional de palhaços.

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Pudicos e Devassos, ou "o palhaço é um poeta que é também um orangotango".*


A organização do anjos está de parabéns pela sensibilidade de colocar Avner e Loco Brusca a se apresentar na mesma noite. A princípio vindos de universos completamente diferentes (para começar, um americano e um argentino), e com humores também distintos, os dois excêntricos estão ligados pela apresentação de um universo cênico e pessoal, pós humano, mediado pelo trabalho intenso com os elementos de seus espetáculos.

Avner trabalha com calma, escuta, inocência, leveza, aproveita cada uma das qualidades dos objetos que apresenta, que todo o tempo lhe trazem problemas com a gravidade (chapéu que cai, cigarros, copos...).
Loco Brusca violentamente desfila um certame de personagens para contar uma história trash com mortes, agulhas enfiadas no olho, braços e cabeças perdidas e motoristas de ônibus drogados.
Se por um lado o meigo Avner desfila seu humor inocente, cuidadoso, contido, limpo e em confronto com a não estabilidade das coisas, por outro lado temos um Loco Brusca agressivo, excessivo, suado e esquizofrênico, com uma turma de personagens que lhe ultrapassa, e até um iluminador que não sabia onde iluminar corretamente devido ao frenesi das imagens. Talvez não seja tão inocente a morte de todos os personagens no final (e o próprio Loco, provavelmente, encontra-se também esgotado).
Loco Brusca vai muito alem do que pode um corpo, e aqui evocamos o esgotamento inspirado em Beckett como um dos inícios do ato de criação. Loco enfrenta um trabalho violento em seus espetáculos, lutando com os personagens que seu corpo cede espaço para desenhar. Assim como Avner que cede seu corpo para desenhar toda a ilusão que cria no espaço, toda a busca por ultrapassar o cotidiano e nos colocar diante de algo que já não podemos dizer que ainda são pessoas...

Avner no trabalho ao extremo do possível em relação com a gravidade. Loco no enfrentamento dos personagens que o desafiam (o homem esquizofrênico).
Ambos com a traição de si, especificidade do palhaço que luta com um mundo muito maior do que ele... Duas possibilidades de ultrapassagem do meramente humano.
Isso ainda são pessoas?

Como resultado, espetáculos de um vigor artístico surpreendente. Impossível sair de algo assim sem receber o baque da visão ao vivo desse tipo de confronto estético.

Juliana Dorneles
* a clown is a poet who is also an oragotangus (Steve Lindsay)

palhaço biribinha:




um post para fazer rir, e só. e daqui a pouco tem mais...


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dizem por aí...



reuni aqui algumas das matérias que na última semana sairam em jornais de santa catarina sobre o anjos do picadeiro. minha idéia é continuar reunindo material sem distinção de procedência: mainstreim e independente, pessoal e formal, etc.

diário catarinense - 25 de novembro (florianópolis é a capital da alegria), 24 de novembro (hoje tem palhaçada? tem sim senhor...), 23 de novembro (desterro em êxtase), texto da coluna contra-capa e do blog do marquinhos) e 22 de novembro (festival anjos do picadeiro reúne palhaços de vários países em fpolis).


a notícia (de joinville): 14 de novembro (anjos do picadeiro em sc), 19 de novembro (circuito de palhaçaria do sesc apresenta a arte do clown).


o momento
(de lages): 19 de novembro (circuito de palhaçaria leva argentinos a praça).







sexta-feira, 27 de novembro de 2009

acontecendo

nossa, o anjos em Floripa está muito bacana! a programação tem respiro, dá para conversar entre um espetáculo e outro, a organização está de parabéns!

Vou postando coisas aos poucos porque é muita coisa mesmo, e cada espetáculo merece uma palavra a parte.

Quarta-feira teve Julie Goel, com Carmem a Mópera. Segundo a própria Julie (que foi entrevistada hoje), houve um certo delay no tempo das piadas do espetáculo, devido a uma quebra do ritmo que acontecia porque ela precisava falar em portugues (e a moça é americana...). sim, o ritmo é algo fundamental na comédia, mas também nao dá para confundir energia com ritmo, porque tem gente que acelera tanto que ninguem entende nada... de qualquer modo, ficou isso da questao tempo e gag, uma relação fundamental.

Na quinta assisti o palhaço Bem que agradou muito com suas habilidades malabarísticas e seu sotaque todo gaúcho; e depois o Aexandre Coelho, um espanhol engraçado, com um tempo lento e uma galinha de verdade em cena. O espetáculo muito simples, mas executado com confiança e leveza.

À noite, El Viaje de Oscar Zimmerman, um palhaço chileno que dá a volta ao mundo na nossa frente, ele e algumas malas contendo instrumentos, que vao formando as imagens dos lugares por onde ele passa. nova york, italia... e vai, vai indo e vai nos levando junto!

Ainda Cancionero Rojo, de uma dupla argentina totalmente absurda. os dois com maletas pretas onde desenhavam com giz produzindo uma iconografia de quadrinhos simples, eficiente e surpreendente. mais adiante escreverei mais sobre este espetáculo que de fato me marcou profundamente.

E por fim da quinta-feira, um cabaré: feito pelos locais da Ilha: os manezinhos, coisa mais fofa a dona Bilica apresentando naquele jeito inadequado marcante, sotaque da ilha rapidim... e os artistas intensos, ácidos, malandros e muito cômicos. show para todo mundo.

A cerveja estava garantida pelo bar, e a festa pelas incriveis pessoas que fazem deste encontro um salão de baile para cada um de nós.

Juliana Dorneles

palhaceata:









eis que, enfim, chegamos a última visão disponível sobre a palhaceata de quarta-feira última. os cliques são de breno bauer (confira, aqui tem muito mais!):

(ah, curiosamente, os fotógrafos duda bauer e breno bauer não são parentes - ao que tudo indica nem malcon bauer é da família...)

tevelisão:




pois então, ó:


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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

palhaceata:









e para quem não esteve por lá, ou esteve e quer rever a lindeza que foi, mais imagens da palhaceata de ontem, dia 25 de novembro — e desta vez com o olhar de michelle frança (mais da moça aqui!).

mais: logo abaixo um novo vídeozinho meu... (fragmentosfragmentosfragmentos)


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Depois do Biriba


No segundo dia do Seminário de Comicidade, depois da apresentação sobre os documentários que realizamos com o Teatro Biriba, o Sebastião, colega de Itajaí, me perguntou sobre as possíveis mudanças que o encontro com o Biriba causou em mim.

Confesso que fui pego de surpresa por essa questão, que há muito já vinha martelando na minha cabeça. Na hora da resposta, não me lembro direito, mas certamente desfiei alguma sequência de clichês sobre a nobreza da arte do circo-teatro, evidentemente desprovida de algum valor concreto.

Não possuo a fórmula certeira que resulte em um panorama comparativo da minha pessoa e do meu trabalho antes e depois do Biriba, muito menos alguma teoria formada que possa servir de parâmetro para atores interessados em se relacionar com o circo-teatro e dele apreender técnica e procedimentos poéticos que possam ser aplicados ao seu trabalho pessoal.

Tudo que eu falo sobre a experiência, que não esteja no âmbito da linguagem fílmica documental, tende a soar abstrato e metafórico, talvez romântico e apaixonado demais para os limites de um seminário de pesquisa.

Mas o fato é que essa aproximação com a Família Passos, e com o trabalho das duas companhias-irmãs que levam o nome Biriba em Santa Catarina, me muda, a cada novo encontro, por completo.

Faz-me entender e respeitar a tradição, e me envolve em memórias, imagens, falas, textos guardados em um velho baú cheio de histórias prontas para serem recontadas. Esse mergulho historiográfico me conecta com uma longa linhagem de artistas admiráveis e deles aprendo sobre o ofício.

Ajuda-me a estabelecer com o público uma forma direta e afetuosa de comunicação e esperar dele a resposta mais sincera.

Em cena me faz repensar os modelos formais de interpretação e a recuperar certo grau de liberdade expressiva, inventar uma presença ao mesmo tempo profunda e ingênua. Leva-me a ser de novo um jogador e um brincante e redescobrir a alegria do palco e o prazer perigoso do improviso.

Em termos estéticos, posso dizer que o encontro me faz ainda adquirir repertório de gêneros populares, que todo o tempo releio nas encenações que crio, me ajudando a moldar um estilo, destilar poéticas, definir algum caminho autoral, ainda em formação.

Também me ensina a empreender, tomar conta de mim, buscar viver da arte a que me propus, pois não há beleza maior que a dignidade do trabalho desses artistas.

Por fim torna-me um ator mais alegre. Possivelmente um ser humano mais feliz.


Depois da inesquecível apresentação de Biribinha Contra o Monstro de Frankenstein, escrevi:

Quando o palhaço sobe ao palco o jogo é alucinado, febril. Sinto soprar ao seu redor um vento que é graça e liberdade. Sob a lona da trupe andante reencontro uma certa ligação ancestral que une a nós atores numa tradição tão antiga quanto o ofício: a de não pertencer a lugar algum.
A opção radical pelo risco de ser artista.

Renato Turnes

palhaceata:










então, como prometido, agora a visão da palhaceata que ontem tomou o centro por outra lente: de duda bauer.


e daqui a pouco a gente volta!!!

Encontro com a Tradição das Pequenas Platéias


No dia 24 de novembro, na mesa do “Encontro com a Tradição”, o Palhaço Bebé concluiu sua fala com uma breve referência às ocasiões em que ele entrou em cena e deparou-se com uma audiência formada por poucas pessoas e à dificuldade e satisfação em levar pequenas platéias ao riso.

Esta fala me remeteu a uma breve reflexão que tinha feito esses dias a respeito das apresentações na extensão pré-Anjos-floripanos. Naquela ocasião eu estava tentando pensar no meu segundo texto para o blog e me perguntando, em suma, o que me perguntar, ou seja, quais as questões que ficavam dessas apresentações que mereciam ser compartilhadas?

Conversando com outros artistas que também se embrenharam no interior de Santa Catarina atrás de olhos de outras municipalidades, ouvi com certa freqüência uma observação meio ressabiada da baixa quantidade de público encontrado. Realidade esta também vivenciada pelas apresentações das quais fiz a técnica.

De fato, tivemos na extensão a oportunidade de encontro com públicos que, em geral, não temos oportunidade nem recursos para visitar. E isso constrói grandes expectativas: quem serão esses distantes olhos? Quão sedentos estarão eles por este encontro finalmente concretizado?

Quando a cena se iniciava com um público reduzido, nossa sensação era de que, infelizmente, uma oportunidade maior estava sendo perdida. Mas era só a cena começar para ver que aquela ocasião nos dava a rara oportunidade de encontro com pessoas ali dispostas a encontrar o inusitado, pessoas que trouxeram seu universo de referências outras à possibilidade de encontro com o novo. E logo aqueles sorrisos eram muitos e aqueles universos que passávamos a habitar, criavam aspas e transformavam o “pequeno público” em muita gente.

A extensão às cidades do interior é muito bem-vinda ao Anjos do Picadeiro – que dá já tradicionalmente aos artistas a ótima oportunidade de encontrar platéias lotadas de público diversificado e generoso, com olhos que trazem a compartilhada paixão por este ofício, porém, olhos muitas vezes dispostos a de certa forma (re)conhecer, em nosso fazer, um pouco da arte que fazem e que admiram. Faltava-nos talvez um tanto desse olhar pelo novo, olhar que proporciona, no encontro, a oportunidade do artista viver sua arte na intensidade de transformação que seu fazer, enquanto novidade, propõe aos olhos a ele desacostumados.

Os pequenos e inusitados públicos são uma rara oportunidade de (re)fazer nossa arte atentos à individualidade dos encontros em suas diferenças, em seu processo de recriação de nosso fazer artístico em outras subjetividades.

Que bom que tivemos a oportunidade destes pequenos públicos...

Diego Baffi ( <:O)= Felisberto)

Fotos da Extensão - Seres de Luz Teatro




Extensão - Concórdia/SC
Espetáculo A-la-pi-pe-tuá - Seres de Luz Teatro
Fotógrafo: Diego Baffi





Extensão - São Miguel/SC
Espetáculo A-la-pi-pe-tuá - Seres de Luz Teatro
Fotógrafo: Diego Baffi


palhaceata:










dizer que a palhaçeata que invadiu o centro da cidade de
florianópolis na tarde de ontem foi emocionante, é pouco. por isso disponibilizo aqui algumas imagens deste acontecimento que, em alguns instantes, trouxe lágrimas aos olhos dos mais sensíveis (ou dos nem tão...).

veja com seus olhos: (as imagens são de
celso pereira - outras, de outras lentes, ainda virão!)



"causos":

aí vão dois "causos" contados por dois palhaços durante o 1° seminário de comicidade do anjos do picadeiro. essas falas (e essas são apenas duas de várias outras...) foram gravadas na terça-feira, dia 24 de novembro, no teatro sesc prainha (durante o painel "encontro com a tradição").

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

resposta de marcio libar a clarissa ayres:

amigos,
como estamos com um probleminha de configuração de texto e não consigo colocar a resposta que marcio libar elaborou para uma fala de clarissa ayres (publicado alguns posts atrás... aqui), resolvi, ao invés de transcrevê-lo na janela de comentários, colocar seu textinho no corpo do blog. é isso.


mafra

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Cara Clarissa
Vamos começar assim: Antes de mais nada, quero deixar claro, que desde 2004 eu não pertenço mais ao grupo Teatro de Anônimo e muito menos da organização do Anjos do Picadeiro. Portanto, sinto-me isento de toda e qualquer critica voltada para a organização de mesas, convidados, programação e etc.
Mas vamos lá. Quem me conhece, sabe o quanto fã eu sou do universo acadêmico e do respeito que tenho por aqueles que ocupam esse lugar. Vale registrar que eu adorei o pouco que vi e ouvi (estava deitado o camarim) da mesa de ontem. Achei muito alto e generoso o nivel das contribuições. Cheguei a comentar com a curadora Ieda Magri, o quanto valiosa a essa presença academica na mesa. Menos artistas, mais pensadores. Um acerto.
Uma das preocupações que tive ao escrever meu livro "A Nobre Arte do Palhaço" (Dizem que é bom. Eu recomendo) eu tentei apenas ser contador de historias, pois ao fazer isto eu estaria colocando a história vivenciada a disposição de estudiosos de diversas áreas para que pudessem recorrer como fonte, utilizando-a contra ou a favor de sua tese. Quando digo que certas coisas são para os cientistas, estou me referindo a isso.
Sempre fui um ferrenho defensor do espaço da reflexão e da construção do pensamento dentro do Anjos do Picadeiro. São varias revistas, cadernos, videos, blog, além das mesas onde o proprio Véu foi integrante. Não sei de onde tiraste a idéia de que alguem pudesse querer inviabilizar o debate. Teorias da Conspiração? Agora os organizadores dos Anjos querem matar os acadêmicos que eles proprios convidam e posteriormente publicam? Oxi.
Eu não faço afirmação sobre arte autonoma ou sobre este ou aquele tipo de arte. Eu falo da arte que eu faço, do que ponho nos meus espetáculos, cenas, numeros, do que tento passar nas minhas oficinas e no meu livro. Seria o conhecimento por mim produzido como artista, alienantes ou alienados? Não é o que obtenho de retorno da maioria do publico que entra em contato com ele.
Até aceito que você a considere meu conteudo "vendido ao sistema" como uma espécie de "Maquina Teresa de Calcular". Talvez você como defensora dos "frascos e comprimidos" esteja realmente certa e os demais (inclusive varios seguidores desse blog) estejam totalmente equivocados. Mas tudo bem, o ingênuo aqui sou eu e você o supra sumo da experiência revolucionaria.
Olha que louco quando eu falo de teorias conspiratórias... Eu apenas quis garantir o direito a liberdade como artista pra você atribuir a mim os seguintes pensamentos: "a primeira afirmação que faz Libar impunimente é a respeito da arte autonoma, para os que nao entendem, trata-se de uma defesa da arte pela arte,o que nos dias de hoje, obriga-nos a legitimar a novela da globo como arte, o calipso como boa musica e ainda O zorra total como modelo de comedia a ser seguido e ovacionado." Onde você me ouviu dizer isso? Você realmente acredita que eu sou defensor destes modelos? Você chegou a toda essa concusão só porque numa frase eu quis garantir o meu fazer artístico? Sem contar que o "para os que nao entendem" é de uma arrogância estupenda.
Impressiona a facilidade com que você e Véu (Flavio Lousas) escolhem o alvo e tentam demoniza-lo atribuindo falas, praticas e pensamentos a pessoas que conhecem tão pouco. Ao ponto de você atribuir a mim, a partir de minha fala o fato de eu criar uma fronteira inimiga entre arte e acedemia. Onde, em que linha, em que frase eu afirmei isso?
Façamos o seguinte: Eu aceito ser o ingenuo, o tonto, o burro, não aceito apenas o título de censor (não censurador como você escreveu) pois luto pela liberdade em mim da mesma forma que lutaria pela sua liberdade. Se quiseres fazer alguma critica a censura seja no blog, ao seminario, faça ao grupo organizador, a curadoria. Pois eu estava na minha até me ver citado da mesma forma indelicada e pouco gentil com que se referiu a mim até agora.
Gosto da indignação e da raiva transformadora da juventude. Ha 15 anos atras, meus alvos preferidos eram Amir Haddad, Augusto Boal, Aderbal Freire, era neles que eu batia nos debates e palestras. Eu dizia que eles eram representantes dopoder instituído. Eles vendiam mais espetaculos, levavam mais vebas. Com o tempo passei a entender a importancia deles no processo de construção do teatro brasileiro.
Eu achava que eles eram vendidos pro sistema e no entanto vi Boal morrer fudido. Duro e doente. Vi que nenhum deles enriqueceu e que se não fosse o eterno confronto que travam com o poder publico, para garantir espaço e verba para trabalharem não conseguiriam, criar, enfim trabalhar sequer pra comprar remedio e viver um pouco mais com o minimo de dignidade. Pergunte se não é a mesma coisa que vocês querem.
Uma vez, ao ser provocado por mim num debate o Amir me respondeu assim: "Marcio eu não sou "o velho" e você "o novo". Eu sou jovem a mais tempo que você, só isso... A diferença é que na sua idade eu contribuia com o mundo como um jovem de vinte e poucos anos, com minha verve, minha veemência e agora eu contribuo desta forma, como um homem de 50 e poucos anos." E concluiu assim: "O desafio é: Eu sobrevivi até agora com a minha arte e você sobreviverá até aqui com a sua". Ele foi ovacionado e eu sorri.
Então, o que quero dizer é: Sigam assim, você e seu parceiro de ideologia e filosofia de vida, provocando, batendo e até ofendendo. Mas por favor, me errem!... Promovam-se falando seus feitos e façanhas, não chutem cachorro morto, não gastem bala com defunto, não me dêem esse cartaz todo. Eu não sou o responsavel pelo não sucesso de vocês. Adoraria até ajudá-los com alguns contatos no Rio, como certa vez o próprio Flavio "Véu" Lousas me pediu e na ocasião nada pude fazer. Uai sô! Mas porque ele procuraria ajuda de um artista VENDIDO ao sucesso? Agora fiquei curioso.
Para terminar, acho que não fica bem pra uma mulher dizer que um homem "não tem colhões" para encarar. Pois se um homem se dirigisse a mim dessa forma eu entenderia que está me chamando pra porrada. Tenho 43 anos e se você não me respeita como artista, por favor me respeite como homem. Nessa idade um homem ainda não está brocha, mas se cansa mais rapido e eu cansei de vocês.
Se querem criticar a organização apontem suas armas para eles. Mas se a parada é comigo eu aceito a peleja, mas agora só no tete a tete, numa mesa aberta ao publico seria ótimo, pois sou artista e gosto de bom espetaculo.
Meus respeitos
Marcio Libar

e daqui a pouco tem mais:



dia quente: a palhaceata no centro de florianópolis foi um sucesso e como boa paceata atrapalhou o trânsito e colocou o povo na rua, na janela. e ainda tem muita coisa para rolar nessa noite que se inicia... daqui a pouco, 20 horas, no teatro álvaro de carvalho (o tac), tem carmem, a mópera com julie goell.

não dá pra perder!

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Prato cheio para clowns

Palhaços / Anjos do Picadeiro

nasceu numa Kombi

indo para Campinas

Tiago Gonçalves

De Florianópolis para

o Caderno C do Correio

Popular


Tomar café ao lado de João Carlos Artigos, o coordenador do Anjos do Picadeiro, é uma prática e tanto para tentar compreender o cerne dessa ‘clownferência’. Numa cumbuca, ele despeja o abacaxi, que pode até representar a acidez do humor de alguns palhaços convidados. A granola é rígida, como a tradição de muitas famílias de circo-teatro participantes, já as uvas passas, simbolizam a doçura dos clowns de primeira viagem. Para envolver tudo isso, derrama o iogurte. De castanha, é claro. Rico em nutrientes, o líquido seria a poção quase mágica para unir todas as facetas dessa grande palhaçaria.


No trajeto entre uma colherada e outra da refeição matinal, João Carlos, o intérprete do palhaço Seo Flô; apura a memória para se encontrar novamente, ao lado dos atores da trupe Teatro de Anônimo (RJ), numa Kombi rumo a Campinas. Naquele espaço espremido, na década de 90, tudo nascia. “A gente estava em temporada em São Paulo e resolvemos nos encontrar com o Lume Teatro. No caminho, surgiu a conversa: O que vamos fazer para comemorar os dez anos do grupo?”, lembra o ator. Um espetáculo só não bastava. A trupe queria mais. “Foi então que resolvemos reunir alguns amigos num encontro para discutirmos o palhaço mais profundamente.”

O Anjos começou pequenino, em 1996, no Rio de Janeiro. No quintal de casa, como diz João Carlos. E os amigos estavam lá: Lume Teatro, Parlapatões, Luiz Carlos Vasconcelos, o palhaço Xuxu; entre outros. Do quintal, ganharam a vizinhança. “Constatamos naquela iniciativa que havia uma grande demanda. Não só nacional, como também internacional. Isso nos surpreendeu”. Não pararam. Antes de devorar o queijo branco, que escuta toda a conversa sobre um pão integral, o ator comenta a origem do nome, que o incomodou. “De começo, não gostei muito. Anjos do Picadeiro parecia muito cristão. Mas ficou”.


De lá para cá, o Anjos tem conquistado as alturas. Além do Rio de Janeiro, esse ‘clownselho’ (começou bienal e, desde 2006, passou a ser anual) aportou em São José do Rio Preto, São Paulo, Salvador e, em 2009, Florianópolis. Tem se tornado cada vez mais uma referência quando o assunto é palhaçada de forma séria. “O Anjos é um marco na palhaçaria nacional e até internacional. Ele foi o grande responsável por influenciar festivais, como o de Londrina e Ouro Preto, e outros fora do País; a olharem com mais atenção o palhaço.” Ao assumir tal postura, mudou a forma de se pensar (e também trabalhar) a figura do clown. “Trazemos à luz reflexões sobre o palhaço impossíveis de se imaginar antigamente.”


Em oito anos de Anjos, ícones da clowneria brasileira, como também da internacional desfilaram pelo evento. A lista é grande, mas vão alguns nomes: os italianos Leo Bassi, Nani e Leris Colombaioni, o espanhol Tortell Poltrona e o norte americano Avner Eisenberg. Quanto ao momento mais significativo desses anos todos, João Artigos não consegue eleger um. Cita alguns, como a última cena protagonizada por Nani Colombaioni. Num ginásio para 800 pessoas, em São José do Rio Preto (1998), o velho clown executou um número clássico de picadeiro, o Spaghetti. “Depois de um tempo ele adoeceu e veio a falecer. Foi muito emocionante vê-lo ali.”

A fim de ilustrar as participações dos grupos radicados em Campinas em todas as edições do Anjos, João Artigos toma emprestado uma frase dita por Lily Curcio do Seres de Luz Teatro: Barão Geraldo é o local que tem mais clowns por metro quadrado. “Não considero Lume Teatro, Seres de Luz, Barracão Teatro, e os palhaços Diego Baffi e Adelvane Néia como convidados, mas sócios do Anjos. São grandes parceiros.”


Ieda Magri